Orçamento do Estado

Resumo da LOA 2026 do Tocantins

A Lei Orçamentária Anual estima a receita e fixa a despesa do Estado do Tocantins para 2026. É o documento que diz, em reais, quanto o Estado espera arrecadar e exatamente quanto cada órgão pode gastar no ano da eleição.

Lei nº 4.950, de 14 de janeiro de 2026Republicada no Suplemento do Diário Oficial nº 6.985 — 23/01/2026Baixar a LOA em PDF
R$ 19,585 bi
Receita estimada = despesa fixada
R$ 11,777 bi
Recursos ordinários do Tesouro (60,1%)
R$ 7,808 bi
Recursos de outras fontes (39,9%)
R$ 470,98 mi
Operações de crédito (novo endividamento)
Orçamento FiscalR$ 11,975 bi · 61,1%
Orçamento da Seguridade SocialR$ 7,610 bi · 38,9%

De onde vem e para onde vai

Receita estimada e despesa fixada são iguais por exigência legal: R$ 19.585.004.329,00. Correntes somam R$ 17,066 bi, de capital R$ 775,24 mi e intraorçamentárias R$ 1,744 bi.

De onde vem o dinheiro

Quadro I da Lei nº 4.950/2026 — receita estimada por origem

  • Transferências correntesR$ 8,863 bi

    45,3% do total

  • Impostos, taxas e contribuições de melhoriaR$ 6,112 bi

    31,2% do total

  • Contribuições intraorçamentáriasR$ 1,744 bi

    8,9% do total

  • Contribuições (previdenciárias e outras)R$ 1,214 bi

    6,2% do total

  • Receita patrimonialR$ 683,35 mi

    3,5% do total

  • Operações de créditoR$ 470,98 mi

    2,4% do total

  • Transferências de capitalR$ 286,10 mi

    1,5% do total

  • Outras receitas correntesR$ 137,81 mi

    0,7% do total

  • Receita de serviçosR$ 55,15 mi

    0,3% do total

  • Alienação de bensR$ 11,76 mi

    0,1% do total

  • Amortização de empréstimosR$ 6,40 mi

    0,0% do total

Para onde vai o dinheiro

Quadro II — despesa fixada por Poder e esfera

  • Poder Executivo — Administração IndiretaR$ 8,596 bi

    43,9% do total

  • Poder Executivo — Administração DiretaR$ 8,492 bi

    43,4% do total

  • Poder JudiciárioR$ 1,152 bi

    5,9% do total

  • Poder Legislativo (ALETO e TCE)R$ 718,12 mi

    3,7% do total

  • Ministério PúblicoR$ 367,43 mi

    1,9% do total

  • Defensoria PúblicaR$ 258,85 mi

    1,3% do total

O orçamento por área

Somas das unidades orçamentárias do Quadro II agrupadas por finalidade.

Saúde

17,4%

R$ 3,411 bi

Fundo Estadual de Saúde (unidade 30550), sendo R$ 2,383 bi do Tesouro.

Educação e ensino superior

14,7%

R$ 2,883 bi

Secretaria da Educação (R$ 2,725 bi) + Unitins (R$ 158,0 mi). Só a Educação recebe R$ 1,949 bi de outras fontes (FUNDEB e convênios).

Previdência dos servidores

14,2%

R$ 2,787 bi

Fundo Financeiro (R$ 1,388 bi) + Fundo Previdenciário (R$ 796,9 mi) + Fundo de Proteção Social dos Militares (R$ 602,9 mi).

Segurança pública e justiça criminal

10,6%

R$ 2,078 bi

PM (R$ 978,2 mi), SSP (R$ 637,7 mi), Bombeiros (R$ 243,0 mi), DETRAN (R$ 156,5 mi), FUSPTO (R$ 57,1 mi) e os fundos FUNPES, FUMPM, FUMPOL e de aparelhamento do CBM (R$ 5,5 mi).

Infraestrutura, transporte e saneamento

3,1%

R$ 604,36 mi

AGETO (R$ 485,9 mi), Fundo Estadual de Transporte (R$ 75,3 mi) e ATS (R$ 43,2 mi).

Agropecuária e desenvolvimento rural

1,9%

R$ 369,37 mi

ADAPEC (R$ 191,4 mi), RURALTINS (R$ 91,5 mi), Secretaria da Agricultura (R$ 49,4 mi), FUNPEC (R$ 22,6 mi) e ITERTINS (R$ 14,5 mi).

As 14 maiores dotações de 2026

Unidade orçamentáriaDotação 2026% do total
Fundo Estadual de SaúdeR$ 3,411 bi17,4%
Secretaria da EducaçãoR$ 2,725 bi13,9%
Recursos sob supervisão da SEPLANR$ 1,508 bi7,7%
Fundo Financeiro (previdência)R$ 1,388 bi7,1%
Polícia Militar do TocantinsR$ 978,19 mi5,0%
Tribunal de JustiçaR$ 899,31 mi4,6%
Fundo PrevidenciárioR$ 796,90 mi4,1%
Secretaria da AdministraçãoR$ 682,22 mi3,5%
Secretaria da Segurança PúblicaR$ 637,70 mi3,3%
Fundo de Proteção Social dos MilitaresR$ 602,91 mi3,1%
Secretaria da FazendaR$ 501,36 mi2,6%
AGETO — Transportes, Obras e InfraestruturaR$ 485,86 mi2,5%
Fundo de Assistência à Saúde dos ServidoresR$ 481,10 mi2,5%
Assembleia LegislativaR$ 449,02 mi2,3%

O que mais chama atenção na Lei

Emendas parlamentares individuais

R$ 122,96 mi

Unidade 26840 — Fundo de Recursos de Emenda Parlamentar Individual, integralmente com recursos ordinários do Tesouro. O Anexo IV da Lei discrimina emenda por emenda.

Novo endividamento autorizado

R$ 470,98 mi

É a receita de operações de crédito prevista no Quadro I. Ou seja, parte do orçamento de 2026 só fecha se o Estado conseguir contratar dívida nova.

Poder do governador de remanejar

30% da despesa

O art. 6º autoriza abrir créditos suplementares até 30% do total da despesa atualizada. Pessoal, dívida, saúde e educação ficam fora desse limite — na prática, a margem de remanejamento é ainda maior.

Tocantins depende de transferências

R$ 8,863 bi

As transferências correntes (FPE, FUNDEB, SUS e convênios) superam toda a arrecadação própria de impostos e taxas, de R$ 6,112 bi.

Análise técnica

Gargalos da LOA 2026

Leitura de consultoria orçamentária sobre a Lei nº 4.950/2026. Cada gargalo cita o quadro, a unidade orçamentária ou o dispositivo legal de onde o número foi extraído.

Os três gargalos mais críticos

01Crítico

Art. 6º — suplementação de 30% esvazia o controle legislativo

A Lei autoriza o Executivo a abrir créditos suplementares até 30% do total da despesa fixada atualizada: R$ 5,876 bi remanejáveis por decreto, sem retorno à Assembleia. O parágrafo único exclui desse limite pessoal, dívida, saúde e educação — as maiores rubricas do orçamento —, de modo que a margem efetiva de remanejamento é bem superior a 30%. Na prática, a alocação real de 2026 não é decidida na Lei aprovada, e sim nos decretos de programação financeira.

30% de R$ 19,585 bi = R$ 5,876 bi passíveis de remanejamento por decreto.

Alerta técnico

Recomendação técnica: emendar o art. 6º para reduzir a autorização a 10%, suprimir as exceções do parágrafo único e exigir relatório quadrimestral de créditos abertos à ALETO. Sem isso, o acompanhamento da execução (RREO bimestral e RGF quadrimestral) é o único controle real disponível.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, art. 6º e parágrafo único; Quadro II (despesa fixada de R$ 19.585.004.329)

02Crítico

Orçamento de ano eleitoral que só fecha com dívida nova

O Quadro I prevê R$ 470,98 mi de operações de crédito — 60,75% de toda a receita de capital de R$ 775,24 mi. Se a operação não se concretizar (autorização do Senado, aval do Tesouro Nacional, manutenção da CAPAG), abre-se um rombo de quase meio bilhão em ano eleitoral, e a Lei não prevê fonte alternativa. Atenuante: a dívida consolidada líquida está em 4,58% da RCL, muito abaixo do teto de 200% — o problema não é solvência, é destinação.

Operações de crédito: R$ 470.976.552 de R$ 775.241.197 de receita de capital.

Alerta técnico

Alerta de qualidade do gasto: R$ 470,98 mi de endividamento novo contra R$ 604,36 mi destinados a toda a infraestrutura, transporte e saneamento. Endividamento dessa ordem só se justifica tecnicamente se vinculado a ativos com retorno econômico — o que a Lei não demonstra rubrica a rubrica.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro I — Receita de Capital, rubrica Operações de Crédito; LDO 2025, AMF Demonstrativo 3

03Crítico

Quase 57% do orçamento nasce comprometido, e a infraestrutura fica com 3,1%

Saúde (R$ 3,411 bi), educação (R$ 2,883 bi) e previdência dos servidores (R$ 2,787 bi) somam R$ 9,081 bi, 46,4% do total. Somada a segurança pública (R$ 2,078 bi), chega a 56,9%. Infraestrutura, transporte e saneamento — o único vetor direto de crescimento do PIB estadual — recebem R$ 604,36 mi, 3,1% do orçamento: menos do que o Fundo Financeiro da previdência sozinho (R$ 1,388 bi).

R$ 11,159 bi (56,9%) em saúde, educação, previdência e segurança; R$ 604,36 mi (3,1%) em infraestrutura.

Alerta técnico

Inversão de prioridade: a previdência (R$ 2,787 bi) custa 4,6 vezes toda a infraestrutura do Estado. Como esse gasto é rigorosamente obrigatório e crescente, cada exercício futuro comprime ainda mais o investimento se não houver equacionamento do RPPS.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro II — dotação por unidade orçamentária (30550, 26000/Unitins, fundos previdenciários, PM/SSP/CBM, AGETO/FET/ATS)

Demais gargalos identificados

04Alto

Arrecadação própria não sustenta o Estado

Impostos, taxas e contribuições de melhoria somam R$ 6,112 bi (31,2% do orçamento), enquanto as transferências correntes de outros entes trazem R$ 8,863 bi (45,3%). A receita própria não cobre nem a folha do Estado. Qualquer mudança no FPE, no FUNDEB ou nos repasses do SUS repercute diretamente na execução.

Transferências correntes: R$ 8.863.088.140 contra R$ 6.112.195.374 de tributos próprios.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro I — Receitas Correntes

05Médio

Receitas intraorçamentárias inflam o total em R$ 1,744 bi

As contribuições intraorçamentárias de R$ 1,744 bi (8,9% do total) são transferências entre órgãos do próprio Estado, contabilizadas em ambos os lados da peça. O orçamento economicamente efetivo é de aproximadamente R$ 17,841 bi. Comparações com exercícios anteriores ou com a projeção da LDO precisam expurgar essa duplicidade — e o quadro não o faz.

Intraorçamentárias: R$ 1.743.936.705 dentro dos R$ 19.585.004.329 totais.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro I — Receitas Correntes Intraorçamentárias

06Médio

Administração indireta supera a direta em dotação

A administração indireta do Executivo concentra R$ 8,596 bi contra R$ 8,492 bi da administração direta. Fundos e autarquias — cuja transparência de execução é menor e cujo controle social é mais difícil — movimentam a maior fatia do orçamento estadual.

Indireta: R$ 8.595.767.089. Direta: R$ 8.492.461.538.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro II — despesa por Poder e esfera administrativa

07Alto

Previdência: R$ 1,388 bi de aporte puro no Fundo Financeiro

O Fundo Financeiro (R$ 1,388 bi) é o regime em repartição já fechado: é despesa de cobertura de déficit, sem contrapartida de serviço público. Somado ao Fundo Previdenciário (R$ 796,9 mi) e ao Fundo de Proteção Social dos Militares (R$ 602,9 mi), a previdência custa R$ 2,787 bi. É o gargalo de longo prazo que a LOA registra e não enfrenta.

Previdência dos servidores: R$ 2.787.374.053 — 14,2% do orçamento.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro II — unidades dos fundos previdenciários; LDO 2025, AMF Demonstrativo 5

08Médio

Emendas parlamentares integralmente em recurso ordinário do Tesouro

Os R$ 122,96 mi do Fundo de Recursos de Emenda Parlamentar Individual (unidade 26840) são 100% recursos ordinários do Tesouro — exatamente a fonte mais escassa e menos vinculada. Em ano eleitoral, é o recurso de maior liquidez sendo alocado por critério político, e historicamente é a rubrica em que o contingenciamento menos incide.

Emendas individuais: R$ 122,96 mi, integralmente com recursos ordinários do Tesouro.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro II — unidade 26840; Anexo IV (discriminação emenda a emenda)

09Alto

Educação depende de outras fontes para quase 70% do seu orçamento

Dos R$ 2,725 bi da Secretaria da Educação, R$ 1,949 bi (71,5%) vêm de outras fontes — FUNDEB e convênios —, não do Tesouro estadual. A capacidade própria do Estado de financiar a educação básica é minoritária dentro da sua maior política setorial.

Educação: R$ 1,949 bi de outras fontes em R$ 2,725 bi de dotação.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, Quadro II — Secretaria da Educação, detalhamento por fonte

10Alto

Peça meramente autorizativa: o que importa é a execução

A LOA autoriza, não obriga a gastar. Combinada com a suplementação de 30% do art. 6º e com o decreto de programação financeira, a dotação inicial é apenas ponto de partida. O controle efetivo se dá no RREO bimestral e no RGF quadrimestral — e é ali que se verifica se a margem líquida de expansão zerada da LDO está sendo respeitada.

R$ 19,585 bi autorizados — a execução real é medida bimestre a bimestre.

Fonte: Lei nº 4.950/2026, arts. 6º e 7º; LC 101/2000, arts. 8º, 9º, 52 e 55

Leitura da Missão

Quatro conclusões que saltam dos números

01

Metade do orçamento já nasce comprometida

Saúde, educação e previdência dos servidores somam R$ 9,081 bi — 46,4% dos R$ 19,585 bi. Somando segurança, passa de 56%. O que sobra para investimento novo é uma fração pequena do total.

02

Arrecadação própria não sustenta o Estado

Impostos, taxas e contribuições de melhoria respondem por R$ 6,112 bi (31,2%), enquanto transferências de outros entes trazem R$ 8,863 bi (45,3%). Sem crescimento econômico, o Tocantins segue dependente de Brasília.

03

Orçamento de eleição financiado com dívida

R$ 470,98 mi vêm de operações de crédito. É dinheiro que não foi arrecadado: será pago pelos tocantinenses nos próximos governos.

04

A peça é autorizativa — a execução é onde se decide

Com a autorização de suplementar até 30% e as exceções do parágrafo único do art. 6º, o orçamento aprovado é apenas o ponto de partida. Fiscalizar a execução mês a mês vale mais do que discutir a planilha inicial.

Fonte: Lei nº 4.950, de 14 de janeiro de 2026, Republicada no Suplemento do Diário Oficial nº 6.985 — 23/01/2026. Valores extraídos dos Quadros I e II e do art. 7º da própria Lei (Sistema PLANEJA / Secretaria do Planejamento e Orçamento). Governador: Wanderlei Barbosa Castro.